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Golpe de calor no cão: como reconhecer, o que fazer e como prevenir

23 October 2026

O golpe de calor é uma emergência que pode matar um cão em pouco tempo. Aprenda a reconhecer os sinais, a arrefecer o seu cão antes de seguir para o veterinário e a evitar os erros mais comuns no verão.

Photo: IketaniDaisei · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons (illustrative)

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Porque é que os cães sofrem tanto com o calor

Os cães não transpiram como nós. Perdem calor sobretudo através da respiração ofegante e, em menor grau, pelas almofadas das patas. Quando o ambiente está muito quente ou húmido, este mecanismo deixa de ser suficiente e a temperatura do corpo pode subir até níveis perigosos. O golpe de calor (hipertermia grave) pode lesar órgãos internos em pouco tempo e é uma verdadeira emergência.

Cães com maior risco

  • Raças braquicéfalas, de focinho curto, como o bulldog inglês, o bulldog francês, o pug ou o boxer, que respiram com mais dificuldade e arrefecem pior.
  • Cães com excesso de peso.
  • Cachorros e cães idosos.
  • Cães com doenças cardíacas ou respiratórias.
  • Cães de pelo muito denso ou escuro.
  • Cães muito ativos que não param de brincar ou correr, mesmo com calor.

Sinais de alerta

Esteja atento, sobretudo em dias quentes, depois de exercício ou de uma viagem de carro:

  • respiração ofegante intensa e ruidosa, que não acalma em repouso;
  • salivação excessiva;
  • gengivas e língua muito vermelhas, ou, em fases graves, azuladas ou pálidas;
  • fraqueza, desequilíbrio, desorientação ou relutância em andar;
  • vómitos ou diarreia, por vezes com sangue;
  • tremores, convulsões ou perda de consciência.

Em cães braquicéfalos, um ronco mais forte e uma respiração mais esforçada durante o passeio já são motivo para parar, procurar sombra e oferecer água.

Primeiros socorros: arrefecer primeiro, transportar depois

Investigadores do Royal Veterinary College (Reino Unido) concluíram que muitos cães com golpe de calor chegam à clínica sem terem sido arrefecidos, ou arrefecidos de forma pouco eficaz. A mensagem que deixam é simples: arrefecer primeiro, transportar depois.

  • Retire o cão do calor de imediato: sombra, interior fresco ou um espaço com ar condicionado.
  • Molhe-o abundantemente com água fresca da torneira, por todo o corpo, insistindo na barriga, nas virilhas, nas axilas e nas patas. Se for possível e seguro, pode mergulhar o corpo numa banheira ou tanque com água fresca, mantendo sempre a cabeça fora de água.
  • Ajude a evaporação com uma ventoinha, ar condicionado ou corrente de ar sobre o cão molhado.
  • Ofereça água em pequenas quantidades se o cão estiver consciente, sem o obrigar a beber.
  • Ligue para o veterinário enquanto arrefece o cão, para avisar que vai a caminho.
  • Siga para a clínica quando a respiração começar a acalmar, mantendo o carro fresco. Mesmo que o cão pareça recuperado, deve ser observado: podem surgir complicações internas nas horas seguintes.

Não espere que o cão melhore sozinho e não lhe dê medicamentos por iniciativa própria.

Prevenção: o mais importante

Nunca deixe o cão dentro do carro

Nem por «só cinco minutos», nem com as janelas entreabertas, nem à sombra. A Ordem dos Médicos Veterinários tem alertado que o interior de um carro pode atingir temperaturas muito elevadas em pouco tempo, e que uma paragem curta pode ser fatal. Os cães que sobrevivem podem ficar com sequelas.

Ajuste os passeios

  • Passeie de manhã cedo e ao fim do dia, evitando as horas de maior calor.
  • Prefira percursos com sombra, relva e acesso a água.
  • Nos dias quentes, troque corridas e jogos intensos por passeios calmos.
  • Faça o teste da mão: coloque as costas da mão no alcatrão ou na calçada. Se não aguentar cinco segundos, está demasiado quente para as patas do cão.

Em casa

  • Água fresca sempre disponível, em mais do que um recipiente.
  • Zonas de sombra e ventilação, sobretudo se o cão passa tempo no quintal ou na varanda.
  • Tapetes refrescantes, toalhas húmidas no chão ou uma pequena piscina podem ajudar, desde que o cão não fique fechado num espaço sem ar.
  • Mantenha o peso do cão controlado e a pelagem tratada; nalguns casos, a escovagem regular ajuda mais do que a tosquia radical, que pode expor a pele ao sol. Pergunte ao veterinário ou ao tosquiador o que é mais adequado à raça.

Em viagem

Planeie viagens nas horas mais frescas, com ar condicionado ligado, pausas frequentes e água. Em cães braquicéfalos, seja ainda mais cauteloso com qualquer esforço em dias quentes.

Se tiver um cão de risco, fale com o seu médico veterinário antes do verão para saber que cuidados extra deve ter.

Fontes

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