Desparasitação do cão: pulgas, carraças e vermes, com que frequência e que cuidados ter
23 de outubro de 2026
Desparasitar o cão protege a saúde dele e a da sua família. Conheça os principais parasitas internos e externos em Portugal, as frequências recomendadas pelas diretrizes europeias e os erros a evitar.

Porque é que a desparasitação é essencial
Os parasitas não causam apenas comichão ou desconforto. Alguns provocam anemia, problemas digestivos, doenças cardíacas ou pulmonares, e outros transmitem infeções graves. Vários podem passar para as pessoas, sobretudo para as crianças. Por isso, a desparasitação regular é uma medida de saúde para o cão e para toda a família.
As recomendações da ESCCAP (organização europeia de especialistas em parasitas de animais de companhia) defendem que a frequência deve ser ajustada ao risco de cada cão, em vez de seguir uma regra igual para todos.
Desparasitação interna
Principais parasitas
- Lombrigas (como Toxocara canis): muito comuns em cachorros, que podem ser infetados pela mãe. Os ovos ficam no solo durante muito tempo e podem infetar pessoas.
- Ancilóstomos e tricurídeos: podem causar diarreia, perda de peso e anemia.
- Ténias: algumas transmitidas pelas pulgas, outras pela ingestão de carne crua, vísceras ou presas.
- Parasitas pulmonares: alguns são transmitidos por lesmas e caracóis, que os cães podem ingerir ao brincar ou beber de poças.
- Dirofilariose (verme do coração): transmitida por mosquitos, presente em várias zonas de Portugal; previne-se com produtos específicos, segundo indicação do veterinário.
Com que frequência
Segundo as orientações da ESCCAP:
- Cachorros: desparasitação a partir das 2 semanas de idade, repetida a cada 2 semanas até 2 semanas depois do desmame. Depois, mensalmente até aos 6 meses, sobretudo se o cachorro estiver exposto a outros cães.
- Cadelas gestantes e a amamentar: precisam de um plano específico, para reduzir a passagem de parasitas para os cachorros. Fale com o veterinário.
- Cães adultos de baixo risco (vivem sobretudo dentro de casa e não têm contacto com outros cães, parques ou presas): uma a duas vezes por ano pode ser suficiente.
- Quando o risco não é claro: desparasitar, ou fazer análises às fezes, pelo menos quatro vezes por ano.
- Cães de alto risco (alimentação crua, caça, ingestão de presas, canis, ou que vivem com crianças pequenas, idosos ou pessoas imunodeprimidas): pode justificar-se desparasitação ou análise mensal.
As análises às fezes são uma alternativa válida, desde que sejam feitas com a mesma regularidade que a desparasitação.
Desparasitação externa
Pulgas
Causam comichão intensa e podem provocar dermatite alérgica. Além disso, transmitem uma ténia. A maior parte da população de pulgas (ovos, larvas e pupas) está no ambiente e não no cão, por isso, numa infestação, é preciso tratar todos os animais da casa e limpar bem camas, mantas e tapetes.
Carraças
Em Portugal, as carraças podem transmitir doenças como a babesiose e a erliquiose, que podem ser graves. São mais abundantes nos meses quentes, mas o clima ameno permite que estejam ativas durante grande parte do ano. Depois de passeios no campo, verifique o pelo, sobretudo à volta das orelhas, pescoço, axilas e entre os dedos.
Flebótomos e mosquitos
São os transmissores da leishmaniose e da dirofilariose. Alguns produtos antiparasitários externos têm efeito repelente contra estes insetos; confirme com o veterinário se o produto escolhido cobre estes riscos.
Com que frequência
Dado o clima português, muitos veterinários recomendam proteção externa contínua ao longo do ano, sobretudo para cães que passeiam no campo, convivem com outros animais ou viajam. A frequência de aplicação depende do produto (coleira, pipeta ou comprimido) e deve seguir rigorosamente as indicações do fabricante e do veterinário.
Cuidados importantes
- Use apenas produtos veterinários indicados para cães e adequados ao peso e à idade do seu cão.
- Nunca use em gatos produtos para cães. Alguns inseticidas usados em cães, como a permetrina, são muito tóxicos para gatos. Se vive com gatos, peça orientação ao veterinário.
- Não combine produtos por iniciativa própria.
- Para retirar uma carraça, use uma pinça ou um gancho próprio, puxe com firmeza e sem torcer em excesso, e não a esmague. Não aplique álcool, óleo, fogo ou outros produtos antes de a retirar. Desinfete a zona e lave as mãos.
- Recolha sempre os dejetos do cão na rua e no jardim, e lave as mãos depois de mexer em terra ou areia.
- Registe as datas das desparasitações no boletim ou no telemóvel, para não se esquecer.
Fale com o seu médico veterinário para definir um plano de desparasitação interno e externo adequado ao estilo de vida do seu cão; não dê medicamentos sem indicação profissional.
Fontes
- ESCCAP – GL1: Controlo de vermes em cães e gatos
- ESCCAP – Esquema de controlo de vermes em cães (ficha resumo)
- ESCCAP – GL3: Controlo de ectoparasitas em cães e gatos
- ESCCAP – GL5: Doenças transmitidas por vetores em cães e gatos
- Parasites & Vectors – Estudo sobre a aplicação das recomendações de desparasitação da ESCCAP