Leishmaniose canina: como se transmite, sinais de alerta e como proteger o seu cão
23 de outubro de 2026
A leishmaniose é uma doença grave transmitida por pequenos insetos, os flebótomos, e Portugal é uma zona endémica. Saiba como reconhecer os sinais e como reduzir o risco com repelentes e vacinação.

O que é a leishmaniose
A leishmaniose canina é uma doença causada por um parasita microscópico, a Leishmania infantum. Afeta vários órgãos ao mesmo tempo – pele, rins, fígado, baço, medula óssea, olhos – e, sem acompanhamento, pode ser fatal. É também uma zoonose, ou seja, pode afetar pessoas, sendo o cão o principal reservatório doméstico do parasita.
Portugal é considerado um país endémico para a leishmaniose canina. Isto significa que o parasita circula de forma permanente no território e que qualquer cão que viva cá, ou que nos visite, está exposto.
Como se transmite
A doença transmite-se pela picada de flebótomos, pequenos insetos voadores parecidos com mosquitos, mas mais pequenos e silenciosos. Em Portugal, as espécies confirmadas como vetores são Phlebotomus perniciosus e Phlebotomus ariasi. Quando um flebótomo pica um cão infetado e depois pica outro cão, transmite o parasita.
Pontos importantes sobre estes insetos:
- São ativos sobretudo do entardecer ao amanhecer.
- Em Portugal, a sua atividade concentra-se normalmente entre maio e outubro, embora possa variar com o clima de cada ano e de cada região.
- Gostam de locais com matéria orgânica, como estrumeiras, compostores, montes de folhas e anexos com animais.
Onde e quando o risco é maior
Há registo de leishmaniose canina em várias regiões do país, com estudos que documentam prevalências relevantes, por exemplo, na região de Lisboa, na Península de Setúbal, na Beira Baixa e em zonas do Norte. Não existe, contudo, um mapa oficial simples que permita dizer que uma zona está livre de risco. Os cães que passam as noites ao ar livre, que vivem em zonas rurais ou junto a matos e quintas, e os cães de caça ou de guarda estão, em geral, mais expostos. O seu veterinário conhece a realidade local e pode ajudar a avaliar o risco do seu cão.
Sinais de alerta
Depois da infeção, a doença pode demorar meses ou até anos a manifestar-se, e há cães infetados que nunca chegam a ficar doentes. Os sinais são variados e muitas vezes inespecíficos. Os mais frequentes incluem:
- emagrecimento, perda de massa muscular, cansaço e falta de vontade de brincar;
- queda de pelo e descamação seca, sobretudo à volta dos olhos, nas orelhas, no focinho e nas extremidades;
- feridas na pele que não cicatrizam e normalmente não fazem comichão;
- crescimento exagerado das unhas;
- hemorragias nasais;
- alterações nos olhos, febre, aumento dos gânglios linfáticos;
- em fases avançadas, problemas renais (o cão bebe e urina mais).
Se notar algum destes sinais, marque consulta. O diagnóstico exige exame clínico e análises laboratoriais. O tratamento, quando necessário, é prolongado e tem como objetivo controlar a doença e melhorar a qualidade de vida do cão, sendo sempre definido e acompanhado pelo veterinário.
Prevenção: a melhor proteção
As diretrizes do grupo LeishVet recomendam uma abordagem combinada, com várias medidas em simultâneo.
Repelentes e inseticidas tópicos
São a base da prevenção, porque evitam que o flebótomo pique o cão. Devem ser produtos veterinários aprovados, com eficácia comprovada contra flebótomos, e mantidos durante todo o período de atividade destes insetos.
- Coleiras: algumas protegem durante vários meses, mas precisam de ser colocadas uma a duas semanas antes da exposição para começarem a fazer efeito.
- Pipetas (spot-on): têm uma duração mais curta, geralmente de algumas semanas, e devem ser aplicadas pelo menos dois dias antes da exposição, por exemplo antes de uma viagem.
Respeite sempre a duração indicada pelo fabricante e não use em gatos produtos destinados a cães, pois alguns inseticidas caninos são tóxicos para gatos.
Vacina
Existe vacina contra a leishmaniose disponível na Europa. Não impede a infeção, mas reduz a probabilidade de esta evoluir para doença. De forma geral, aplica-se a cães saudáveis a partir dos 6 meses, depois de um teste que confirme que não estão infetados, com reforços periódicos. A vacina complementa os repelentes, não os substitui.
Medidas no dia a dia
- Recolha o cão para dentro de casa ao fim do dia e durante a noite, sobretudo entre a primavera e o outono.
- Evite passeios em zonas de mato ao entardecer.
- Coloque redes mosquiteiras de malha fina nas janelas e no local onde o cão dorme.
- Reduza focos de matéria orgânica perto de casa.
- Faça os testes de rastreio que o veterinário recomendar, habitualmente uma vez por ano.
Antes de escolher repelentes ou avançar com a vacinação, fale com o seu médico veterinário para definir o plano de prevenção mais adequado ao seu cão.