Lagarta do pinheiro (processionária): um perigo sério para o seu cão
23 de outubro de 2026
Entre o inverno e a primavera, as lagartas do pinheiro descem das árvores em fila e os seus pelos urticantes podem causar lesões graves na boca e na língua dos cães. Saiba quando há mais risco e o que fazer em caso de contacto.

O que é a processionária do pinheiro
A processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa) é uma praga florestal comum em Portugal. O nome vem do comportamento das lagartas, que se deslocam em fila, umas atrás das outras, como numa procissão. Atacam sobretudo pinheiros, mas também podem surgir em cedros.
O perigo está nos pelos urticantes que as lagartas desenvolvem a partir de uma certa fase de crescimento. Estes pelos contêm uma proteína irritante, soltam-se com muita facilidade, ficam no chão e nas folhas e podem até ser transportados pelo vento. Basta um contacto próximo para provocar uma reação inflamatória intensa.
Quando há mais risco
- Outono: começam a ver-se os ninhos, bolsas de seda esbranquiçadas nas pontas dos ramos dos pinheiros, sobretudo nos mais expostos ao sol.
- Inverno: as lagartas crescem dentro dos ninhos e ganham os pelos urticantes.
- Entre janeiro e abril ou maio: as lagartas descem das árvores em fila para se enterrarem no solo, onde se transformam. É a fase mais perigosa para os cães, porque as lagartas estão no chão, ao nível do focinho. As descidas são mais frequentes em dias soalheiros e amenos.
O calendário exato varia com o clima de cada ano e de cada região, por isso mantenha-se atento sempre que passear perto de pinheiros nesta altura.
Porque é que os cães são tão afetados
Os cães exploram o mundo com o focinho e com a boca. Ao cheirar, lamber ou tentar morder uma fila de lagartas, os pelos entram em contacto com a língua, os lábios e as gengivas. Os cachorros e os cães jovens, mais curiosos, são os mais atingidos: num estudo de casos clínicos em Portugal, a maioria dos animais afetados era jovem.
Sinais de alerta
Os sintomas surgem habitualmente poucos minutos depois do contacto:
- salivação abundante e súbita;
- agitação, dor e tentativas de esfregar o focinho com as patas ou no chão;
- língua inchada e avermelhada, que pode mudar de cor, ficando arroxeada ou escura nas zonas afetadas;
- inchaço dos lábios, do focinho ou da zona da mandíbula;
- gengivas avermelhadas, recusa em comer, vómitos;
- tosse ou dificuldade em respirar, se os pelos forem inalados;
- irritação nos olhos.
Nos casos mais graves, pode haver necrose (morte do tecido) da ponta da língua, e o inchaço pode dificultar a respiração. Por isso, o contacto com a lagarta do pinheiro deve ser tratado como uma urgência veterinária.
O que fazer em caso de contacto
- Afaste o cão das lagartas imediatamente e mantenha-o calmo.
- Não toque nas lagartas nem nos pelos com as mãos desprotegidas. Se tiver luvas, use-as.
- Não esfregue a boca nem a língua do cão, porque isso pode partir os pelos e espalhar a substância irritante.
- Se conseguir fazê-lo em segurança, lave suavemente a boca e o focinho com bastante água, deixando-a escorrer.
- Ligue para o veterinário e siga de imediato para a clínica, mesmo que os sinais pareçam ligeiros. O tratamento precoce faz muita diferença.
Não dê medicamentos ao cão por iniciativa própria.
Como prevenir
- Entre o inverno e a primavera, passeie o cão com trela em pinhais, parques e jardins com pinheiros.
- Evite deixar o cão a cheirar o chão junto à base dos pinheiros e afaste-o de qualquer fila de lagartas.
- Inspecione os pinheiros do seu jardim ou do condomínio a partir do outono, à procura de ninhos.
- Não tente destruir ninhos sozinho sem proteção adequada. Em espaços públicos, contacte a câmara municipal, a junta de freguesia, a proteção civil ou os serviços regionais do ICNF. Em terrenos privados, recorra a empresas especializadas.
- Lembre-se de que as pessoas, sobretudo as crianças, também podem ter reações aos pelos.
Se o seu cão costuma passear em zonas de pinhal, fale com o seu médico veterinário sobre como agir numa emergência e guarde o contacto de uma clínica com atendimento urgente.