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Lagarta do pinheiro (processionária): um perigo sério para o seu cão

23 de outubro de 2026

Entre o inverno e a primavera, as lagartas do pinheiro descem das árvores em fila e os seus pelos urticantes podem causar lesões graves na boca e na língua dos cães. Saiba quando há mais risco e o que fazer em caso de contacto.

Foto: Fernando Losada Rodríguez · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons (ilustrativa)

O que é a processionária do pinheiro

A processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa) é uma praga florestal comum em Portugal. O nome vem do comportamento das lagartas, que se deslocam em fila, umas atrás das outras, como numa procissão. Atacam sobretudo pinheiros, mas também podem surgir em cedros.

O perigo está nos pelos urticantes que as lagartas desenvolvem a partir de uma certa fase de crescimento. Estes pelos contêm uma proteína irritante, soltam-se com muita facilidade, ficam no chão e nas folhas e podem até ser transportados pelo vento. Basta um contacto próximo para provocar uma reação inflamatória intensa.

Quando há mais risco

  • Outono: começam a ver-se os ninhos, bolsas de seda esbranquiçadas nas pontas dos ramos dos pinheiros, sobretudo nos mais expostos ao sol.
  • Inverno: as lagartas crescem dentro dos ninhos e ganham os pelos urticantes.
  • Entre janeiro e abril ou maio: as lagartas descem das árvores em fila para se enterrarem no solo, onde se transformam. É a fase mais perigosa para os cães, porque as lagartas estão no chão, ao nível do focinho. As descidas são mais frequentes em dias soalheiros e amenos.

O calendário exato varia com o clima de cada ano e de cada região, por isso mantenha-se atento sempre que passear perto de pinheiros nesta altura.

Porque é que os cães são tão afetados

Os cães exploram o mundo com o focinho e com a boca. Ao cheirar, lamber ou tentar morder uma fila de lagartas, os pelos entram em contacto com a língua, os lábios e as gengivas. Os cachorros e os cães jovens, mais curiosos, são os mais atingidos: num estudo de casos clínicos em Portugal, a maioria dos animais afetados era jovem.

Sinais de alerta

Os sintomas surgem habitualmente poucos minutos depois do contacto:

  • salivação abundante e súbita;
  • agitação, dor e tentativas de esfregar o focinho com as patas ou no chão;
  • língua inchada e avermelhada, que pode mudar de cor, ficando arroxeada ou escura nas zonas afetadas;
  • inchaço dos lábios, do focinho ou da zona da mandíbula;
  • gengivas avermelhadas, recusa em comer, vómitos;
  • tosse ou dificuldade em respirar, se os pelos forem inalados;
  • irritação nos olhos.

Nos casos mais graves, pode haver necrose (morte do tecido) da ponta da língua, e o inchaço pode dificultar a respiração. Por isso, o contacto com a lagarta do pinheiro deve ser tratado como uma urgência veterinária.

O que fazer em caso de contacto

  • Afaste o cão das lagartas imediatamente e mantenha-o calmo.
  • Não toque nas lagartas nem nos pelos com as mãos desprotegidas. Se tiver luvas, use-as.
  • Não esfregue a boca nem a língua do cão, porque isso pode partir os pelos e espalhar a substância irritante.
  • Se conseguir fazê-lo em segurança, lave suavemente a boca e o focinho com bastante água, deixando-a escorrer.
  • Ligue para o veterinário e siga de imediato para a clínica, mesmo que os sinais pareçam ligeiros. O tratamento precoce faz muita diferença.

Não dê medicamentos ao cão por iniciativa própria.

Como prevenir

  • Entre o inverno e a primavera, passeie o cão com trela em pinhais, parques e jardins com pinheiros.
  • Evite deixar o cão a cheirar o chão junto à base dos pinheiros e afaste-o de qualquer fila de lagartas.
  • Inspecione os pinheiros do seu jardim ou do condomínio a partir do outono, à procura de ninhos.
  • Não tente destruir ninhos sozinho sem proteção adequada. Em espaços públicos, contacte a câmara municipal, a junta de freguesia, a proteção civil ou os serviços regionais do ICNF. Em terrenos privados, recorra a empresas especializadas.
  • Lembre-se de que as pessoas, sobretudo as crianças, também podem ter reações aos pelos.

Se o seu cão costuma passear em zonas de pinhal, fale com o seu médico veterinário sobre como agir numa emergência e guarde o contacto de uma clínica com atendimento urgente.

Fontes

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